Revisão Completa · FMB/UNESP11 módulos biomédicos/procedurais · reta final
EDIÇÃO ROBUSTA · REFEITA DO ZERO

Apostila Completa de Revisão Estratégica

Foco nos blocos biomédicos e procedurais que você selecionou. Conteúdo do edital como fonte de escopo; a prova anterior é usada apenas para ponderar prioridade e quantidade relativa.

11módulos
≈71%do peso anterior coberto
28figuras/esquemas
10.126palavras de revisão

Como esta versão foi construída

Esta é uma revisão robusta, não um resumo de uma página. O conteúdo foi selecionado pelo edital. A prova anterior serve apenas para estimar quanto tempo relativo vale investir em cada módulo — não para dizer “o que vai repetir”.

Incluído

A Célula, Sistema Nervoso, Sistema Circulatório, Sistema Respiratório, Método Científico, Órgãos dos Sentidos, Aparelho Locomotor, Cuidados de Enfermagem, Sistema Hematológico, Sistema Tegumentar e SBV.

Fora por decisão sua

História/introdução à Medicina, fundamentos socioantropológicos e semiologia/comunicação não entram como blocos desta revisão.

Como estudar: leia cada módulo em três passagens: 1) mapa e conceitos; 2) mecanismos/figuras; 3) recuperação ativa. Se você não consegue explicar um mecanismo sem olhar, marque o checkbox como pendente.

Prioridade relativa para a reta final

Os 11 módulos selecionados representaram cerca de 71 das 100 questões do caderno anterior. Isso não prevê repetição de temas; serve apenas como proxy de peso.

MóduloPeso anteriorUso nesta revisão
A Célula14Maior profundidade: membrana, organelas, ciclo, meiose, apoptose, matriz.
Sistema Nervoso12Maior profundidade: desenvolvimento, neurofisiologia, vias, reflexos, SNA, córtex.
Sistema Circulatório8ECG, bomba, hemodinâmica, microcirculação, fetal.
Sistema Respiratório7Do desenvolvimento ao controle respiratório.
Método Científico6Desenhos, medidas, viés, testes e interpretação.
Órgãos dos Sentidos6Visão, audição, vestibular, paladar e receptores.
Aparelho Locomotor6Osso/cartilagem, músculo, articulações, anatomia funcional.
Cuidados de Enfermagem4Biossegurança e procedimentos seguros.
Hematológico3Hematopoiese, hemostasia, transfusão, HLA/TMO.
Tegumentar3Histologia, glândulas, termorregulação, pigmentação, ciclo piloso.
SBV2Algoritmo curto e altamente recuperável.

A Célula

prioridade máxima
peso anterior: 14/100

Pense neste módulo como a linguagem básica de quase toda a fisiologia: membrana → organelas → energia → citoesqueleto → ciclo → morte celular → tecidos.

Núcleo celular — diagrama em português
Núcleo celular — diagrama em português
Reforce envelope nuclear, poros, cromatina e nucléolo.
Fonte aberta: Wikimedia Commons.

1. Membrana plasmática e propriedades dos lipídios

A bicamada forma-se porque fosfolipídios são anfipáticos: a cabeça polar interage com água e as caudas apolares evitam o meio aquoso. O colesterol fica entre os fosfolipídios e modula fluidez/permeabilidade. Proteínas integrais atravessam ou penetram a bicamada; periféricas associam-se a uma das faces. Carboidratos da face externa participam do glicocálix.

Membrana plasmática — bicamada fosfolipídicaProteína integralCabeças hidrofílicasCaudas hidrofóbicasCanal/transportadorColesterolGlicocálix
Figura adicional — Membrana plasmática. Apoio visual para bicamada, proteínas integrais, colesterol e glicocálix.
MecanismoEnergiaSentidoExemplo
Difusão simplesNãoA favor do gradienteO₂, CO₂, moléculas lipossolúveis
Difusão facilitadaNãoA favorGLUT, canais iônicos
Ativo primárioATP diretoContra gradienteNa⁺/K⁺-ATPase
Ativo secundárioGradiente de outro solutoUm soluto pode ir contraSGLT
Pegadinha: osmose é movimento de água. Solução hipotônica faz água entrar na célula; hipertônica faz água sair.

2. Potencial de membrana e Na⁺/K⁺-ATPase

A bomba transporta 3 Na⁺ para fora e 2 K⁺ para dentro por ATP. Ela é eletrogênica e mantém gradientes usados por excitabilidade e transporte secundário. O potencial de repouso, entretanto, depende fortemente da permeabilidade seletiva — especialmente canais de vazamento de K⁺ — e não apenas da bomba.

3. RER, REL, Golgi, endossomos, lisossomos e peroxissomos

Proteína secretada ou de membrana começa a ser traduzida no citosol, mas um peptídeo-sinal direciona o complexo ao RER. No RER ocorre dobramento e modificações iniciais; vesículas seguem ao Golgi, onde passam das cisternas cis para trans, recebem modificações e são triadas.

  • REL: síntese de lipídios/esteroides, detoxificação e estoque de Ca²⁺ (retículo sarcoplasmático no músculo).
  • Endossomo precoce: triagem de material endocitado; recicla ou encaminha à degradação.
  • Lisossomo: hidrolases ácidas; pH baixo mantido por V-ATPase; autofagia e heterofagia.
  • Peroxissomo: oxidação de ácidos graxos muito longos e metabolismo de H₂O₂ por catalase.

4. Mitocôndria e bioenergética

O ciclo de Krebs ocorre na matriz; a cadeia transportadora de elétrons e ATP sintase estão na membrana interna. O gradiente de H⁺ gera força próton-motriz. Desacoplamento dissipa o gradiente como calor; inibição da cadeia reduz produção de ATP e pode aumentar espécies reativas.

5. Citoesqueleto

EstruturaProteínaFunção
MicrofilamentosActinaMotilidade, forma, microvilos, citocinese, contração
MicrotúbulosTubulinaFuso, transporte por cinesina/dineína, cílios/flagelos
IntermediáriosQueratinas, vimentina, desmina, lâminasResistência mecânica
Ciclo celular e pontos de controle G1SG2M G1/SDano ao DNA? tamanho/nutrientes adequados? SReplicação do DNA G2/MDNA completamente replicado e íntegro? FusoTodos os cinetócoros ligados corretamente?
Esquema 1 — memorize o evento central de cada fase e os checkpoints.

6. Mitose, meiose e recombinação

Na mitose, cromátides irmãs se separam na anáfase. Na meiose I, homólogos se separam; por isso é uma divisão reducional. Na prófase I ocorre sinapse dos homólogos e crossing-over entre cromátides não irmãs. A meiose II se assemelha à mitose ao separar cromátides.

7. Apoptose e necrose

Na via intrínseca, estresse celular ativa proteínas pró-apoptóticas (Bax/Bak), aumenta permeabilidade da membrana mitocondrial externa, libera citocromo c e forma apoptossomo com Apaf-1 e procaspase-9. Caspases executoras promovem condensação e fragmentação organizada. Na necrose clássica predomina edema, perda de integridade e inflamação.

8. Matriz extracelular e junções

Colágeno I predomina em osso/tendão/derme; II em cartilagem; IV na lâmina basal. Integrinas ligam matriz ao citoesqueleto e sinalizam. Desmossomos conectam células por filamentos intermediários; hemidesmossomos ligam célula à lâmina basal; gap junctions fazem comunicação iônica.

Você precisa conseguir explicar sem olhar: Na/K; destino de proteína secretada; diferenças entre lisossomo/peroxissomo; citoesqueleto; checkpoints; meiose I; apoptose intrínseca.

Recuperação ativa

Por que uma célula em solução hipotônica incha?

A osmolaridade efetiva é menor fora; água entra para equilibrar o gradiente osmótico.

Qual é a sequência de uma proteína secretada?

Ribossomo → peptídeo-sinal → RER → vesícula → Golgi cis→trans → vesícula secretora → membrana.

Qual diferença essencial entre meiose I e II?

I separa homólogos; II separa cromátides irmãs.

Aprofundamento — sinalização, tráfego e integração celular

Receptores e transdução de sinal

Receptores de membrana convertem um sinal extracelular em resposta intracelular. Receptores acoplados à proteína G ativam segundos mensageiros como AMPc, IP3 e DAG; receptores tirosina-quinase dimerizam e autofosforilam, recrutando proteínas sinalizadoras. Receptores intracelulares ligam moléculas lipossolúveis, como hormônios esteroides, e modulam transcrição gênica. A banca pode cobrar a diferença entre uma resposta rápida por fosforilação e uma resposta mais lenta por alteração de expressão gênica.

Endocitose e exocitose

Endocitose mediada por receptor concentra ligantes em vesículas revestidas, frequentemente por clatrina. Após internalização, o endossomo precoce decide entre reciclagem de receptores e envio para degradação. Exocitose constitutiva ocorre continuamente; exocitose regulada depende de sinal, muitas vezes Ca²⁺. Proteínas Rab e SNARE garantem especificidade de endereçamento e fusão vesicular.

Organelas e doenças de localização

O destino de proteínas depende de sinais de endereçamento. Proteínas nucleares usam sequências de localização nuclear; enzimas lisossomais recebem manose-6-fosfato no Golgi; proteínas mitocondriais são importadas por complexos de translocação. Questões podem apresentar uma proteína que deveria chegar a uma organela e perguntar qual etapa defeituosa explica o acúmulo em outro compartimento.

Estresse oxidativo

Espécies reativas de oxigênio surgem normalmente no metabolismo. Em excesso, oxidam lipídios, proteínas e DNA. Superóxido dismutase, catalase e glutationa participam das defesas antioxidantes. Mitocôndrias e peroxissomos são fontes e alvos importantes. O conceito é útil para integrar bioenergética e lesão celular.

Junções celulares

JunçãoFunçãoLigação
OclusivaBarreira paracelularClaudinas/occludinas
AderenteAdesão célula-célulaActina/caderinas
DesmossomoResistência mecânicaFilamentos intermediários/caderinas
HemidesmossomoAdesão à lâmina basalIntegrinas/filamentos intermediários
GapComunicação elétrica/metabólicaConexinas

Epitélio e polaridade

Células epiteliais possuem domínios apical e basolateral diferentes. Essa polaridade permite absorção e secreção vetoriais. A lâmina basal dá suporte e filtração; a superfície apical pode possuir microvilosidades ou cílios. A prova pode relacionar estrutura à função: microvilos aumentam área; cílios movem conteúdo; junções oclusivas mantêm compartimentos.

Como pode cair: uma questão pode misturar organela, sinal de endereçamento, tipo de transporte e defeito funcional. Resolva seguindo a rota celular em ordem.

Mapa de confusões frequentes — Citologia

  • Ribossomo livre × RER: não são ribossomos “diferentes”; o mesmo tipo de ribossomo pode ser recrutado ao RER quando a proteína possui peptídeo-sinal apropriado.
  • Lisossomo × peroxissomo: lisossomo usa hidrolases ácidas para digestão; peroxissomo usa reações oxidativas e catalase.
  • Microtúbulo × actina: microtúbulo é essencial para fuso e transporte de longa distância; actina domina córtex, microvilos, migração e anel contrátil.
  • Apoptose × necrose: apoptose é programa ordenado com fragmentação em corpos apoptóticos; necrose clássica envolve ruptura e inflamação.

Proteassoma e ubiquitina

Proteínas citosólicas/nucleares destinadas à degradação podem receber cadeias de ubiquitina e ser reconhecidas pelo proteassoma. Isso é diferente da degradação lisossomal, que atua especialmente sobre material endocitado e componentes celulares via autofagia. Ciclinas são exemplos de proteínas cuja degradação regulada controla o ciclo celular.

Núcleo e nucléolo

Envelope nuclear é contínuo com RER. Poros nucleares controlam tráfego de proteínas/RNAs. O nucléolo é local de síntese/processamento de rRNA e montagem inicial de subunidades ribossomais. Eucromatina tende a ser menos condensada e transcricionalmente ativa; heterocromatina, mais condensada.

Checklist

Método e Raciocínio Científico

muito alta prioridade
peso anterior: 6/100

Aqui o ganho vem de reconhecer rapidamente a arquitetura do estudo e saber qual medida combina com ela.

Tipos de estudo: identifique de onde o pesquisador parte Pergunta de pesquisa Fotografia de um momento? Parte da exposição? Parte do desfecho? Pesquisador intervém? Transversal Coorte Caso-controle Ensaio clínico
Esquema 2 — regra de ouro: transversal = fotografia; coorte = exposição→desfecho; caso-controle = desfecho→exposição; ensaio = intervenção.

1. Desenhos observacionais e experimentais

DesenhoLógicaMedidas comunsForça/limitação
TransversalExposição e desfecho no mesmo momentoPrevalência, razão de prevalênciasRápido; temporalidade fraca
CoorteExpostos vs não expostos → acompanhaIncidência, risco relativoTemporalidade boa; pode ser longa/cara
Caso-controleCasos vs controles → exposição passadaOdds ratioÓtimo para doença rara; viés de memória
Ensaio clínicoPesquisador aloca intervençãoRR, redução absoluta, NNTMelhor controle causal; questões éticas/logísticas
EcológicoUnidade = grupo/populaçãoCorrelação populacionalGera hipótese; falácia ecológica

2. Incidência, prevalência e risco

Incidência mede casos novos e depende de população sob risco/tempo. Prevalência inclui casos existentes e é influenciada por incidência e duração. Doença crônica longa pode ter prevalência alta mesmo com incidência modesta.

3. RR, OR e diferença absoluta

RR = risco nos expostos / risco nos não expostos. OR = odds de exposição entre casos / controles (ou odds de desfecho, dependendo da montagem). Para desfechos raros, OR aproxima RR. Não confunda relevância estatística com relevância clínica: uma diferença pequena pode ter p baixo em amostra enorme.

4. Sensibilidade, especificidade e valores preditivos

Doença +Doença −
Teste +Verdadeiro positivoFalso positivo
Teste −Falso negativoVerdadeiro negativo
  • Sensibilidade = VP/(VP+FN): entre doentes, quantos o teste detecta?
  • Especificidade = VN/(VN+FP): entre não doentes, quantos o teste reconhece como negativos?
  • VPP e VPN dependem fortemente da prevalência/probabilidade pré-teste.

5. Erros, poder e intervalo de confiança

Erro tipo I (α) = falso positivo: rejeitar H0 verdadeira. Erro tipo II (β) = falso negativo. Poder = 1−β. Aumentar amostra geralmente aumenta poder e estreita o intervalo de confiança, mas não corrige viés sistemático.

6. Viés e confundimento

Viés de seleção decorre de entrada/permanência desigual nos grupos; viés de informação decorre de medida/classificação; confundidor associa-se à exposição e ao desfecho e distorce a relação. Randomização tende a equilibrar confundidores conhecidos e desconhecidos; cegamento reduz certos vieses de observação.

7. Testes estatísticos — reconhecimento de prova

  • Qui-quadrado: associação entre variáveis categóricas.
  • t de Student: comparação de médias em condições apropriadas.
  • Correlação: força/direção de associação entre variáveis; não implica causalidade.
  • Curvas de sobrevivência: tempo até evento; censura faz parte da análise.
Pegadinha: “p<0,05” não diz o tamanho do efeito nem elimina viés.

Aprofundamento — interpretação de resultados

Intervalo de confiança

O intervalo de confiança expressa a faixa de valores compatíveis com os dados sob determinadas premissas. Para RR ou OR, o valor nulo é 1; para diferença de médias, 0. Um IC amplo indica imprecisão. Um estudo pode ter resultado “não significativo” e ainda assim ser inconclusivo por falta de precisão.

Risco absoluto, redução absoluta e NNT

Se um evento cai de 10% para 5%, o RR é 0,5, mas a redução absoluta é 5 pontos percentuais. NNT = 1/redução absoluta do risco, usando proporção decimal: 1/0,05 = 20. Questões podem explorar como um efeito relativo impressionante pode representar benefício absoluto pequeno quando o risco basal é baixo.

Acurácia diagnóstica e probabilidade pré-teste

Sensibilidade e especificidade são propriedades relativamente estáveis do teste em determinado contexto; valores preditivos variam com prevalência. Em população de baixa prevalência, mesmo teste específico pode gerar proporção relevante de falsos positivos. Razões de verossimilhança combinam sensibilidade e especificidade e atualizam a probabilidade pré-teste.

Curva ROC

A curva ROC representa sensibilidade contra 1−especificidade para diferentes pontos de corte. Área sob a curva maior indica melhor discriminação. Aumentar sensibilidade geralmente reduz especificidade e vice-versa; não existe ponto de corte ideal universal sem considerar consequências clínicas.

Randomização, cegamento e intenção de tratar

Randomização reduz confundimento; ocultação da alocação impede que inclusão seja influenciada pelo grupo futuro; cegamento reduz vieses de desempenho e aferição. Análise por intenção de tratar preserva a comparação gerada pela randomização, mesmo com adesão imperfeita.

Revisão sistemática e metanálise

Revisão sistemática define pergunta, busca, critérios e avaliação crítica de modo reprodutível. Metanálise combina quantitativamente resultados quando apropriado. Forest plot mostra estimativas individuais e efeito combinado; heterogeneidade elevada exige investigar diferenças clínicas/metodológicas. Viés de publicação pode distorcer síntese.

Validade interna e externa

Validade interna = quão confiável é a inferência no grupo estudado. Validade externa = quão aplicável é a outros contextos. Um ensaio muito controlado pode ter ótima validade interna e aplicabilidade limitada.

Como pode cair: não escolha desenho só pelo nome da doença. Identifique temporalidade, quem foi selecionado primeiro e se houve intervenção.

Fórmulas e interpretações que valem decorar

MedidaFórmula mentalInterpretação
RRRisco exposto / risco não exposto1 = sem associação; >1 risco; <1 proteção
RARRisco controle − risco tratadoBenefício absoluto
NNT1/RARQuantos tratar para evitar um evento
SensibilidadeVP/(VP+FN)Entre doentes, quantos positivos
EspecificidadeVN/(VN+FP)Entre sadios, quantos negativos

Amostragem e erro aleatório

Amostra deve representar a população-alvo. Amostragem probabilística reduz risco de seleção sistemática. Aumentar n reduz erro aleatório, mas não transforma uma amostra enviesada em representativa. Perda de seguimento diferencial em coorte/ensaio pode introduzir viés mesmo com grande n.

Causalidade

Associação não é causalidade. Temporalidade é requisito básico: exposição precisa preceder desfecho. Força, consistência, gradiente dose-resposta e plausibilidade ajudam a sustentar inferência, mas não substituem desenho adequado e controle de confundimento.

Checklist

Sistema Circulatório

prioridade máxima
peso anterior: 8/100

O edital combina desenvolvimento, anatomia, histologia, eletrofisiologia, ECG, bomba, hemodinâmica, microcirculação e circulação fetal.

Sistema circulatório humano — diagrama em português
Sistema circulatório humano — diagrama em português
Reforce o sentido do fluxo sistêmico e pulmonar.
Fonte aberta: Wikimedia Commons.

1. Anatomia funcional

AD recebe cavas e seio coronário; VD ejeta ao tronco pulmonar; AE recebe quatro veias pulmonares; VE tem parede mais espessa e ejeta à aorta. Valvas AV fecham quando a pressão ventricular supera a atrial; semilunares abrem quando pressão ventricular supera a arterial.

Anatomia do coração — visão esquemáticaÁtrio direitoÁtrio esquerdoVentrículo direitoVentrículo esquerdoAortaTronco pulmonarVeia cava superiorVeia cava inferior
Figura adicional — Coração. Reforce câmaras, septo e grandes vasos.

2. Sistema de condução

Nó SA inicia impulso; propagação atrial chega ao nó AV, cujo atraso favorece enchimento ventricular. Feixe de His, ramos direito/esquerdo e Purkinje distribuem o impulso aos ventrículos. Automatismo nodal depende de despolarização espontânea na fase 4.

3. Potenciais de ação

No miócito ventricular, fase 0 = Na⁺ rápido; fase 1 = repolarização inicial; fase 2 = platô por Ca²⁺ tipo L equilibrado com K⁺; fase 3 = repolarização por K⁺; fase 4 = repouso. Nas células marcapasso, não há repouso estável verdadeiro: a fase 4 sobe espontaneamente por corrente funny e Ca²⁺.

Ciclo cardíaco + eventos elétricos EnchimentoContração isovolumétricaEjeçãoRelaxamento isovolumétrico S1S2 P = despolarização atrial · QRS = despolarização ventricular · T = repolarização ventricular
Esquema 3 — associe valvas, bulhas, pressão e ECG ao mesmo ciclo.

4. ECG

P = despolarização atrial. PR reflete condução atrial/AV. QRS = despolarização ventricular. ST corresponde à fase de platô; T = repolarização ventricular. Repolarização atrial fica escondida no QRS. ECG registra fenômenos elétricos, não diretamente contração.

5. Ciclo cardíaco e bulhas

S1 = fechamento mitral/tricúspide no início da sístole. Contração isovolumétrica: todas as valvas fechadas, pressão sobe, volume constante. Quando pressão ventricular supera aórtica/pulmonar, semilunares abrem e ocorre ejeção. S2 = fechamento das semilunares. Relaxamento isovolumétrico precede abertura das AV.

6. Débito, pré-carga, pós-carga e contratilidade

  • DC = FC × volume sistólico.
  • Pré-carga ≈ estiramento ao fim da diástole; aumento fisiológico eleva VS por Frank-Starling.
  • Pós-carga = carga contra a qual o ventrículo ejeta; hipertensão aumenta pós-carga do VE.
  • Contratilidade = capacidade intrínseca independente da pré-carga; simpático/Ca²⁺ aumentam.

7. Hemodinâmica

Fluxo = ΔP/R. A resistência vascular depende fortemente do raio: R ∝ 1/r⁴. Arteríolas são o principal sítio de controle de resistência. Turbulência aumenta com velocidade/diâmetro e diminui com viscosidade; estenoses podem elevar velocidade e gerar sopros.

8. Microcirculação e edema

Filtração capilar aumenta com pressão hidrostática capilar e permeabilidade; é contrariada pela pressão oncótica plasmática. Hipoalbuminemia reduz oncótica plasmática e favorece edema. Obstrução linfática também causa acúmulo intersticial.

9. Controle da pressão arterial

Barorreceptores carotídeos/aórticos detectam estiramento. Queda de PA reduz descarga barorreceptora → aumenta simpático → taquicardia, maior contratilidade, vasoconstrição. Rim e sistema renina-angiotensina-aldosterona atuam em controle de prazo maior.

10. Circulação fetal

Veia umbilical traz sangue oxigenado; ducto venoso desvia parte do fígado; forame oval comunica AD→AE; ducto arterioso conecta artéria pulmonar à aorta. Após nascimento, expansão pulmonar reduz resistência pulmonar; aumento do retorno pulmonar eleva pressão no AE e favorece fechamento funcional do forame oval. O aumento de O₂ e queda de prostaglandinas favorecem constrição do ducto arterioso.

Aprofundamento — do desenvolvimento à regulação

Desenvolvimento cardíaco

O coração deriva principalmente do mesoderma esplâncnico. O tubo cardíaco sofre looping e septação. Coxins endocárdicos contribuem para septos e valvas AV; alterações conotruncais relacionam-se a desenvolvimento da via de saída. Mesmo sem cobrar malformações específicas, entenda que uma falha de septação altera comunicação entre câmaras e padrão de fluxo.

Histologia cardíaca

Endocárdio é endotélio com conjuntivo subjacente; miocárdio contém cardiomiócitos estriados ramificados; epicárdio corresponde ao folheto visceral do pericárdio seroso. Discos intercalares combinam desmossomos/fáscia aderente, que transmitem força, e gap junctions, que permitem acoplamento elétrico.

Coronárias

Coronária esquerda geralmente origina interventricular anterior e circunflexa. Coronária direita frequentemente fornece marginal direita e, em dominância direita, interventricular posterior. Fluxo coronariano do VE ocorre principalmente na diástole porque a sístole comprime vasos intramiocárdicos.

Alça pressão-volume

Quatro fases: enchimento → contração isovolumétrica → ejeção → relaxamento isovolumétrico. Aumento de pré-carga desloca o volume diastólico final e aumenta volume sistólico; aumento de pós-carga eleva volume sistólico final e reduz ejeção; aumento de contratilidade reduz volume sistólico final e aumenta volume sistólico.

Barorreflexo

Queda aguda da PA reduz estiramento do seio carotídeo/arco aórtico, diminui aferência aos centros bulbares e aumenta simpático. Resultado: FC, contratilidade e resistência periférica sobem. É um mecanismo de segundos-minutos, não de controle crônico de volume.

RAAS

Baixa perfusão renal, baixa NaCl na mácula densa e simpático β1 estimulam renina. Angiotensina II causa vasoconstrição e estimula aldosterona; aldosterona aumenta retenção de Na⁺ no néfron distal. Mesmo sem módulo renal, o mecanismo entra no controle cardiovascular.

Circulações especiais

Cérebro apresenta autorregulação e forte resposta ao CO₂. Coronárias aumentam fluxo conforme metabolismo local. Circulação pulmonar é de baixa pressão e responde à hipóxia alveolar com vasoconstrição, ao contrário da circulação sistêmica.

Como pode cair: se a questão altera pré-carga, pós-carga ou contratilidade, pense primeiro em volume sistólico final e diastólico antes de tentar decorar setas.

Integração de fórmulas e mecanismos — Circulatório

RelaçãoEquação mentalUso
DébitoDC = FC × VSQuantidade bombeada por minuto
Pressão médiaPAM ≈ DC × RVSIntegra bomba e vasos
FluxoQ = ΔP/RMais gradiente → mais fluxo; mais resistência → menos
ResistênciaR ∝ 1/r⁴Raio é o maior modulador

Frank-Starling não é contratilidade

Frank-Starling é propriedade do coração de ejetar mais quando recebe mais volume, dentro da faixa fisiológica, por aumento do comprimento sarcomérico inicial e melhor geração de força. Contratilidade é mudança da força para a mesma pré-carga, geralmente por disponibilidade de Ca²⁺.

Sons e sopros

Bulhas normais vêm principalmente de vibração após fechamento valvar. Sopros refletem fluxo turbulento por estenose, insuficiência ou fluxos elevados. Uma valva estenótica cria gradiente durante a fase em que deveria estar aberta; insuficiente gera refluxo quando deveria estar fechada.

Veias e retorno venoso

Veias são reservatórios de alta complacência. Simpático venoso reduz capacitância e aumenta retorno. Bomba muscular e válvulas venosas ajudam sangue contra a gravidade. Aumento de pressão venosa central pode ser transmitido aos capilares, favorecendo edema.

Checklist

Sistema Respiratório

prioridade máxima
peso anterior: 7/100

Faça uma revisão linear: desenvolvimento → anatomia/histologia → mecânica → difusão → transporte → V/Q → controle.

Estrutura do pulmão — diagrama em português
Estrutura do pulmão — diagrama em português
Use para revisar árvore brônquica e localização da região alveolar.
Fonte aberta: Wikimedia Commons.

1. Embriologia

O divertículo respiratório brota da parede ventral do intestino anterior. O epitélio da laringe, traqueia, brônquios e pulmões é de origem endodérmica; cartilagem, músculo e conjuntivo vêm do mesoderma esplâncnico. Separação inadequada traqueoesofágica pode produzir fístula.

FaseIdeia principal
PseudoglandularRamificação até bronquíolos terminais; sem troca gasosa efetiva
CanalicularLuz aumenta, vascularização aproxima-se, surgem estruturas respiratórias
SacularSacos terminais; pneumócitos amadurecem; surfactante aumenta
AlveolarAlvéolos aumentam em número e maturação continua após nascimento

2. Histologia

Traqueia/brônquios: epitélio pseudoestratificado ciliado com células caliciformes; cartilagem e glândulas. Bronquíolos não têm cartilagem nem glândulas, e passam a epitélio mais simples. Pneumócito I é fino para difusão; pneumócito II secreta surfactante e atua como progenitor.

Epitélio respiratório — organização histológicaCíliosCélula caliciformeMembrana basal e tecido conjuntivo subjacente
Figura adicional — Epitélio respiratório. Esquema em português para lembrar células ciliadas, caliciformes e membrana basal.

3. Mecânica e pressões

Inspiração tranquila: diafragma contrai → volume torácico ↑ → pressão pleural fica mais negativa → pressão alveolar cai discretamente abaixo da atmosférica → ar entra. Expiração tranquila é passiva. Pressão transpulmonar = alveolar − pleural e mantém o pulmão distendido.

Complacência = ΔV/ΔP. Fibrose reduz complacência; enfisema tende a aumentá-la, embora prejudique recolhimento elástico. Surfactante reduz tensão superficial, aumenta complacência e estabiliza alvéolos pequenos.

4. Volumes e ventilação

Ventilação minuto = volume corrente × frequência. Ventilação alveolar desconta espaço morto: (VT−VD)×f. Aumentar frequência com respirações muito superficiais pode elevar ventilação minuto sem melhorar adequadamente ventilação alveolar.

5. Difusão

Pela lei de Fick, difusão aumenta com área e gradiente de pressão e diminui com espessura. Edema/fibrose aumentam distância de difusão. CO difunde-se avidamente e sua DL é usada como medida da capacidade de difusão.

Alvéolos e barreira alvéolo-capilarCapilarAlvéolosBarreira alvéolo-capilarPneumócito IPneumócito II / surfactante
Figura adicional — Alvéolos. Apoio visual para difusão gasosa e barreira alvéolo-capilar.
Relação V/Q: ápice, base, shunt e espaço morto ÁpiceVentilação ↓Perfusão ↓↓↓V/Q ↑ BaseVentilação ↑Perfusão ↑↑↑V/Q ↓ Espaço mortoVentilação sem perfusão efetiva ShuntPerfusão sem ventilação efetiva
Esquema 4 — V/Q alto aproxima espaço morto; V/Q baixo aproxima shunt.

6. V/Q

Ápice: ventilação e perfusão são menores em valores absolutos, mas perfusão cai proporcionalmente mais → V/Q alto. Base: ambos maiores, perfusão sobe mais → V/Q baixo. Embolia cria regiões de espaço morto; obstrução de via aérea cria região de V/Q baixo/shunt-like.

7. Transporte de O₂

Conteúdo arterial depende majoritariamente de Hb e saturação, não apenas de PaO₂. Curva Hb-O₂ desloca à direita com ↑CO₂, ↑H⁺, ↑temperatura, ↑2,3-BPG, facilitando liberação de O₂ nos tecidos (efeito Bohr).

8. Transporte de CO₂

A maior fração circula como bicarbonato. Nas hemácias, anidrase carbônica acelera CO₂+H₂O⇄H₂CO₃⇄H⁺+HCO₃⁻. Parte liga-se à Hb como carbamino. A oxigenação da Hb no pulmão favorece liberação de CO₂ (efeito Haldane).

9. Controle neural/químico

Redes bulbares geram ritmo; ponte modula padrão. Quimiorreceptores centrais detectam principalmente H⁺ no LCR derivado do CO₂ que atravessa a barreira. Periféricos (carotídeos/aórticos) respondem a hipoxemia arterial, especialmente quando PaO₂ cai bastante, e também a acidemia/CO₂.

10. Reflexos e aplicações

Reflexo de Hering-Breuer por receptores de estiramento limita insuflação, mais importante em volumes altos. Pneumotórax elimina pressão pleural negativa do lado afetado, permitindo retração pulmonar. Gradiente A-a ajuda a separar hipoventilação de defeitos de V/Q/difusão.

Aprofundamento — volumes, espirometria, ácido-base e gradientes

Volumes e capacidades

Volume corrente é o ar de uma respiração tranquila. Volume residual permanece após expiração máxima e não é medido por espirometria simples; por isso capacidade residual funcional e capacidade pulmonar total também exigem métodos adicionais. Capacidade vital é o máximo mobilizável entre inspiração e expiração máximas.

Obstrução × restrição

Em obstrução, VEF1 cai proporcionalmente mais que CVF, reduzindo VEF1/CVF. Em restrição, volumes pulmonares estão reduzidos e a relação pode ser normal ou aumentada. O diagnóstico definitivo de restrição requer demonstrar redução da CPT.

Resistência das vias aéreas

Apesar do pequeno calibre individual, bronquíolos em paralelo oferecem grande área transversal total. Broncoconstrição aumenta resistência; controle autonômico e mediadores locais modulam calibre. Fluxo turbulento exige gradiente de pressão maior.

Lei de Laplace e surfactante

Para uma esfera, pressão tende a aumentar com tensão superficial e diminuir com raio. Sem surfactante, alvéolos pequenos teriam maior pressão e tenderiam a esvaziar nos maiores. O surfactante reduz mais efetivamente a tensão quando a área diminui, estabilizando alvéolos.

Gradiente alvéolo-arterial

Hipoxemia por hipoventilação pura tende a preservar gradiente A-a; defeitos de V/Q, shunt e difusão tendem a aumentá-lo. Isso ajuda a localizar mecanismo sem depender de decorar doenças.

Ácido-base respiratório

Hipoventilação aumenta PaCO₂ → acidose respiratória. Hiperventilação reduz PaCO₂ → alcalose respiratória. Compensação renal altera HCO₃⁻ ao longo de horas/dias. Em distúrbios agudos, a mudança de bicarbonato é menor que em crônicos.

Controle de ventilação

CO₂ atravessa a barreira hematoencefálica e gera H⁺ no LCR; por isso é o principal estímulo dos quimiorreceptores centrais em condições habituais. Corpos carotídeos respondem rapidamente a queda de PaO₂, acidemia e CO₂. Em hipoxemia grave, a resposta periférica ganha importância.

Embolia e pneumotórax

Embolia reduz perfusão de unidades ventiladas, elevando espaço morto fisiológico. Pneumotórax rompe o acoplamento pleural: a pressão pleural aproxima-se da atmosférica e o pulmão retrai. No hipertensivo, pressão intratorácica crescente compromete retorno venoso e circulação.

Como pode cair: a banca pode dar gasometria ou cenário e perguntar qual mecanismo produz hipoxemia. Comece por ventilação, V/Q, shunt, difusão e gradiente A-a.

Integração que costuma separar alternativas

Pressões e fluxo

O ar só flui quando há diferença entre pressão alveolar e atmosférica. No fim da inspiração ou expiração, o fluxo zera porque as pressões se igualam, embora o volume pulmonar seja diferente. Pressão pleural permanece negativa em condições normais porque pulmão tende a retrair para dentro e caixa torácica para fora.

Complacência e elasticidade

Complacência alta significa que pequeno ΔP produz grande ΔV, mas isso não significa pulmão saudável: no enfisema há alta complacência com perda de recolhimento elástico. Fibrose produz baixa complacência e maior trabalho inspiratório.

Hb e PaO₂ não são sinônimos

PaO₂ mede O₂ dissolvido, enquanto conteúdo arterial depende principalmente de Hb × saturação. Anemia grave pode ter PaO₂ normal e conteúdo de O₂ reduzido; intoxicação por CO pode manter PaO₂ relativamente normal enquanto reduz transporte/entrega de O₂.

Resposta ao O₂ suplementar

V/Q baixo geralmente melhora com O₂; shunt verdadeiro melhora pouco porque o sangue passa por áreas não ventiladas. Espaço morto não é corrigido simplesmente aumentando O₂ se o problema central é ausência de perfusão.

Gradiente A-a

Gradiente A-a normal com hipoxemia sugere hipoventilação ou baixa pressão inspirada; elevado sugere V/Q desigual, shunt ou difusão. É uma ferramenta de raciocínio, não um diagnóstico isolado.

Checklist

Sistema Nervoso

prioridade máxima
peso anterior: 12/100

Este é um bloco grande: desenvolvimento + células + sinapse + medula + SNP/SNA + tronco/nervos cranianos + movimento + diencéfalo/córtex + límbico/sono + LCR/vascularização + vias.

Anatomia do neurônio — rótulos em português
Anatomia do neurônio — rótulos em português
Use para revisar dendritos, soma, axônio, mielina e terminal sináptico.
Fonte aberta: Wikimedia Commons.

1. Desenvolvimento

O ectoderma neural forma placa neural → sulco → tubo neural. Tubo neural origina SNC. Crista neural origina grande parte do SNP, incluindo gânglios sensitivos/autonômicos e células de Schwann. Placa alar relaciona-se a função sensitiva; placa basal, motora.

Sistema nervoso central — orientação geralTelencéfaloCerebeloTronco encefálicoMedula espinal
Figura adicional — SNC. Visão esquemática em português para reforçar as grandes divisões anatômicas.

Vesículas primárias: prosencéfalo, mesencéfalo, rombencéfalo. Secundárias: telencéfalo/diencéfalo; mesencéfalo permanece; metencéfalo/mielencéfalo. Metencéfalo origina ponte e cerebelo; mielencéfalo, bulbo.

2. Neurônios e glia

  • Astrócitos: homeostase, suporte metabólico, modulação sináptica, participação na BHE.
  • Oligodendrócito: mieliniza múltiplos internódios no SNC.
  • Schwann: mieliniza um segmento de um axônio no SNP.
  • Microglia: célula imune/fagocítica residente.
  • Ependimárias: revestem ventrículos/canal central; plexo coroide especializa-se na produção de LCR.

3. Potencial de ação e sinapse

Despolarização abre canais de Na⁺ voltagem-dependentes; depois inativação de Na⁺ e abertura de K⁺ repolarizam. Período refratário absoluto decorre da inativação dos canais de Na⁺. Mielina permite condução saltatória entre nódulos de Ranvier.

No terminal, PA abre canais de Ca²⁺; Ca²⁺ ativa maquinaria SNARE → exocitose. Receptores ionotrópicos são rápidos; metabotrópicos modulam via proteína G. Glutamato é principal excitatório do SNC; GABA, principal inibitório encefálico; glicina é relevante na medula/tronco.

Medula espinal: entradas, saídas e grandes vias Corno posteriorCorno anterior Raiz dorsal Raiz ventral Colunas dorsais–lemnisco medialTato fino, vibração, propriocepção · cruza no bulbo EspinotalâmicaDor, temperatura, tato grosseiro · cruza na medula Corticospinal lateralMovimento voluntário · cruza nas pirâmides bulbares
Esquema 5 — o local da decussação é uma fonte clássica de erro.

4. Medula e reflexos

Corno posterior recebe/processa sensibilidade; corno anterior contém NMI somáticos; corno lateral contém neurônios autonômicos em níveis específicos. Raiz dorsal é sensitiva e possui gânglio; ventral é motora. O nervo espinal resultante é misto.

Fuso muscular detecta comprimento/velocidade de estiramento e usa aferente Ia; órgão tendinoso de Golgi detecta tensão e usa Ib. Reflexo miotático excita motoneurônio alfa do músculo homônimo.

5. SNA

SimpáticoParassimpático
OrigemToracolombarCraniossacral
Pré-ganglionarACh nicotínicaACh nicotínica
PósGeralmente noradrenalinaACh muscarínica
Exceção importanteSudorípara écrina: ACh—

6. Nervos cranianos — mínimo de alto rendimento

I olfato; II visão; III/IV/VI motricidade ocular; V sensibilidade da face + mastigação; VII mímica + paladar anterior; VIII audição/equilíbrio; IX paladar posterior/faringe; X vísceras/fonação/deglutição; XI ECM/trapézio; XII língua.

7. NMS e NMI

Lesão de NMS: hiperreflexia, espasticidade, Babinski após fase aguda. Lesão de NMI: fraqueza flácida, hiporreflexia/arreflexia, atrofia neurogênica e fasciculações. A distinção é central em localização de lesão.

8. Cerebelo e núcleos da base

Cerebelo corrige erro motor e coordena tempo/precisão; lesão hemisférica tende a sinais ipsilaterais, com ataxia, dismetria e tremor de intenção. Núcleos da base selecionam/facilitam programas motores. Via direta facilita movimento; indireta inibe programas concorrentes. Lesão subtalâmica pode causar hemibalismo.

9. Tálamo, hipotálamo e córtex

Tálamo é grande estação de retransmissão sensorial/motora (olfato é exceção inicial). Hipotálamo integra temperatura, fome, sede, SNA, hipófise e ritmos. Áreas motoras/sensoriais primárias têm organização somatotópica. Área de Broca relaciona-se à produção da fala; Wernicke, compreensão da linguagem.

10. Límbico, memória e sono

Hipocampo é essencial à consolidação de memória declarativa; amígdala participa de saliência emocional/medo. Núcleo supraquiasmático é marcapasso circadiano. Sono NREM e REM resultam de circuitos distribuídos; REM associa-se a atonia muscular e atividade cortical característica.

11. Meninges, LCR e barreira

Dura, aracnoide, pia. LCR: plexos coroides → ventrículos laterais → Monro → III → aqueduto → IV → Luschka/Magendie → espaço subaracnoideo → granulações aracnoideas. BHE depende de tight junctions endoteliais; astrócitos sustentam o fenótipo de barreira.

12. Vascularização e grandes vias

Carótida interna e sistema vertebrobasilar conectam-se pelo círculo arterial cerebral. CO₂ é forte modulador do fluxo cerebral. As três vias para memorizar estão no esquema: coluna dorsal cruza no bulbo; espinotalâmica cruza na medula; corticospinal lateral cruza nas pirâmides.

Aprofundamento — vias, reflexos cranianos e circuitos

Potencial pós-sináptico

EPSP e IPSP são graduados e podem somar. Somação temporal = repetição rápida de uma mesma entrada; espacial = entradas diferentes simultâneas. O segmento inicial do axônio integra essas correntes e, ao atingir limiar, dispara PA tudo-ou-nada.

Colunas dorsais

Fibras de tato fino, vibração e propriocepção entram na medula e ascendem ipsilateralmente nos fascículos grácil/cuneiforme até o bulbo. Ali fazem sinapse, cruzam como fibras arqueadas internas, formam lemnisco medial e seguem ao tálamo/córtex.

Via espinotalâmica

Aferentes de dor/temperatura entram, podem subir/descer poucos segmentos, fazem sinapse no corno posterior e cruzam pela comissura branca anterior, ascendendo contralateralmente. Assim, lesão medular unilateral pode produzir perda contralateral de dor abaixo da lesão.

Corticospinal

Neurônios motores superiores descem da área motora por cápsula interna e tronco. A maioria cruza nas pirâmides bulbares e desce no trato corticospinal lateral. Lesão acima da decussação causa sinais contralaterais; abaixo, ipsilaterais.

Reflexos cranianos

Fotomotor: aferente II, integração mesencefálica, eferente III parassimpático. Córneo: aferente V1, eferente VII. Nauseoso: aferência IX e eferência X de forma simplificada. A prova pode combinar déficit sensorial/motor e perguntar qual nervo.

Cerebelo funcional

Vestibulocerebelo ajuda equilíbrio/olhos; espinocerebelo ajusta postura e execução; cerebrocerebelo participa de planejamento e temporização de movimentos complexos. Lesões não causam paralisia primária, mas incoordenam.

Núcleos da base

Estriado recebe córtex. Via direta reduz inibição talâmica e facilita movimento; via indireta aumenta inibição e suprime programas concorrentes. Dopamina da substância negra facilita movimento por efeitos diferentes em receptores D1/D2.

Hipotálamo e hipófise

Núcleos hipotalâmicos sintetizam ADH e ocitocina, liberados pela neuro-hipófise. Hormônios liberadores/inibidores controlam adeno-hipófise via sistema porta. Integração entre SNA e endocrinologia é ponto recorrente.

Linguagem

Lesão de Broca: fala não fluente, esforço, compreensão relativamente preservada. Wernicke: fala fluente porém sem conteúdo, compreensão prejudicada. Fascículo arqueado conecta áreas e lesão pode causar afasia de condução.

Pressão intracraniana e LCR

Crânio rígido contém cérebro, sangue e LCR. Aumento importante de um componente exige compensação dos outros; quando esgota, pressão sobe. Obstrução do aqueduto pode causar hidrocefalia não comunicante com dilatação dos ventrículos proximais.

Como pode cair: localize primeiro: córtex, tronco, medula, raiz, nervo ou junção. Depois associe se o padrão é motor, sensitivo, autonômico ou cerebelar.

Mapa anatômico de alto rendimento — Neuro

Tronco encefálico

Mesencéfalo: colículos, substância negra, núcleos III/IV. Ponte: conexão com cerebelo e núcleos de vários nervos cranianos. Bulbo: pirâmides, oliva, centros cardiorrespiratórios e núcleos caudais. Uma lesão de tronco pode combinar sinais de nervo craniano ipsilateral com déficit corporal contralateral.

Cápsula interna

Concentra fibras motoras e sensitivas em espaço pequeno; lesões podem causar déficit denso. Fibras corticobulbares controlam núcleos motores cranianos; corticospinais seguem para medula.

Tálamo

VPL retransmite sensibilidade do corpo; VPM, face/gosto; corpo geniculado lateral, visão; medial, audição. Não é “apenas sensitivo”: também participa de circuitos motores/associativos.

Dermátomos e raízes

Radiculopatia segue distribuição de raiz, não de nervo periférico. Lesão de nervo mistura fibras de raízes diferentes. Essa distinção ajuda quando déficit motor e sensitivo não encaixam em um único dermátomo.

Reflexo plantar

Babinski extensor em adulto sugere disfunção corticospinal/NMS. Em lactentes pode ser fisiológico por imaturidade da mielinização.

Neurotransmissores moduladores

Dopamina: movimento/recompensa; noradrenalina: alerta/atenção; serotonina: humor/sono e múltiplas funções; ACh: junção neuromuscular, SNA e circuitos cognitivos. Questões podem cobrar local/função em vez de apenas “excitatório/inibitório”.

Checklist

Órgãos dos Sentidos

alta prioridade
peso anterior: 6/100

1. Visão — anatomia

Órbita contém globo, músculos, nervos e vasos. Canal óptico transmite II e artéria oftálmica; fissura orbital superior transmite III, IV, V1, VI e veias. Túnica fibrosa = córnea/esclera; vascular = coroide/corpo ciliar/íris; retina é neural.

Olho — corte anatômico simplificadoCórneaÍrisCristalinoRetinaCoroideEscleraNervo óptico
Figura adicional — Olho. Ajuda a revisar estruturas cobradas em visão e via óptica.

2. Embriologia e retina

Vesícula óptica deriva do diencéfalo e invagina formando cálice: camada externa → epitélio pigmentado; interna → retina neural. Cristalino deriva do ectoderma superficial. Sequência retiniana funcional: fotorreceptor → bipolar → ganglionar; axônios ganglionares formam nervo óptico.

Bastonetes: alta sensibilidade, pouca acuidade/cor. Cones: cores e alta acuidade, concentrados na fóvea. Luz ativa opsina → reduz cGMP → fecha canais catiônicos → hiperpolariza o fotorreceptor.

Via óptica Olho DOlho E Quiasma CGLCGL Córtex visualFibras nasais cruzam; temporais não.
Esquema 6 — lesão central do quiasma → hemianopsia bitemporal.

3. Óptica e acomodação

Córnea fornece a maior parte do poder refrativo. Para perto, músculo ciliar contrai → tensão zonular diminui → cristalino fica mais convexo. Erros: miopia foca antes da retina; hipermetropia, depois.

4. Audição

Som → membrana timpânica → martelo/bigorna/estribo → janela oval → onda na cóclea. Scala vestibuli e tympani têm perilinfa; ducto coclear tem endolinfa. Membrana de Reissner separa vestibuli do ducto; basilar sustenta órgão de Corti. Deflexão de estereocílios abre canais mecanossensíveis, despolarizando células ciliadas.

Ouvido — visão anatômica simplificadaOrelha externaOssículosCócleaCanais semicirculares
Figura adicional — Ouvido. Apoio para audição e equilíbrio.

5. Tonotopia

Base da cóclea é mais rígida/estreita e responde a frequências altas; ápice, mais flexível e responde a baixas.

6. Vestibular

Canais semicirculares detectam aceleração angular; utrículo e sáculo detectam aceleração linear e gravidade por máculas com otólitos. Reflexo vestíbulo-ocular estabiliza imagem durante movimento da cabeça.

7. Paladar/olfato/receptores cutâneos

Botões gustativos contêm células receptoras; VII, IX e X levam aferências de regiões diferentes. Olfato usa neurônios receptores que projetam ao bulbo. Pacini: vibração/pressão profunda, adaptação rápida; Meissner: tato leve rápido; Merkel: pressão/forma lenta; Ruffini: estiramento lento.

Aprofundamento — reflexos, campos visuais e audição

Pupila

Luz em um olho envia aferência pelo II até área pretectal bilateral; núcleos de Edinger-Westphal enviam parassimpático pelo III ao gânglio ciliar e esfíncter da pupila. Isso explica reflexo direto e consensual. Simpático dilata pupila via músculo dilatador.

Campos visuais

Retina nasal recebe campo temporal e cruza no quiasma. Lesão do nervo óptico causa cegueira monocular; lesão central do quiasma, hemianopsia bitemporal; lesão de trato/radiação/córtex pode causar hemianopsia homônima contralateral.

Acomodação para perto

Tríade: convergência dos olhos, miose e aumento da curvatura do cristalino. Contração do músculo ciliar reduz tensão zonular e o cristalino torna-se mais convexo.

Orelha média e impedância

Ossículos aumentam eficiência de transferência de energia do ar para líquido coclear. Tuba auditiva equaliza pressão. Reflexo acústico envolve músculos estapédio/tensor do tímpano, mas não protege de todos os sons intensos súbitos.

Transdução coclear

Endolinfa é rica em K⁺ e possui potencial endococlear positivo. Deflexão dos estereocílios abre canais mecanossensíveis e K⁺ entra na célula ciliada, despolarizando-a; Ca²⁺ entra e neurotransmissor é liberado sobre fibras do VIII.

Vestibular

Cristas ampulares dos canais detectam rotação; máculas utricular/sacular usam membrana otolítica para aceleração linear. O reflexo vestíbulo-ocular move olhos em sentido oposto à cabeça para manter fixação.

Paladar

Sabores básicos são transduzidos por canais ou receptores acoplados a proteína G. VII leva paladar dos 2/3 anteriores, IX do 1/3 posterior, X de região epiglótica/faríngea.

Como pode cair: em visão, desenhe mentalmente onde as fibras cruzam; em audição, siga energia do tímpano até célula ciliada.

Detalhes que valem uma última revisão — Sentidos

Humor aquoso

Produzido pelo corpo ciliar, passa da câmara posterior pela pupila à anterior e drena pelo trabeculado/canal de Schlemm. Obstrução da drenagem eleva pressão intraocular. Humor vítreo, em contraste, preenche segmento posterior e não é renovado da mesma forma.

Movimentos oculares

Regra prática: reto lateral = VI; oblíquo superior = IV; demais músculos extraoculares = III. Lesão do III pode produzir ptose, olho “para fora e para baixo” e midríase se fibras parassimpáticas forem afetadas.

Condução aérea × óssea

Perda condutiva ocorre em orelha externa/média; neurossensorial em cóclea/nervo. Testes de Rinne/Weber exploram essa distinção. A prova pode apresentar lateralização e pedir o tipo de perda.

Endolinfa e perilinfa

Endolinfa é rica em K⁺; perilinfa se parece mais com líquido extracelular. O gradiente eletroquímico incomum é essencial para a transdução das células ciliadas.

Checklist

Aparelho Locomotor

alta prioridade
peso anterior: 6/100

1. Osso: células e matriz

Osteoblasto sintetiza osteoide e pode virar osteócito; osteócito atua como mecanossensor e mantém matriz; osteoclasto multinucleado, derivado de linhagem monócito-macrófago, reabsorve osso. Colágeno I fornece resistência tensil; hidroxiapatita, rigidez compressiva.

Osso compacto — ósteonCanal de HaversLamelas concêntricasOsteócitos em lacunasVisual útil para histologia óssea e remodelamento.
Figura adicional — Ósteon. Apoio para histologia do osso compacto.

Ossificação intramembranosa forma osso diretamente do mesênquima (importante em ossos chatos); endocondral substitui molde cartilaginoso (muitos ossos longos). Remodelamento depende do acoplamento osteoclasto–osteoblasto e responde a carga mecânica/hormônios.

2. Cartilagem

TipoMatrizLocais
HialinaColágeno IIArticular, vias aéreas, molde fetal
ElásticaII + fibras elásticasPavilhão, epiglote
FibrocartilagemMuito colágeno IDiscos, meniscos, sínfise púbica

3. Articulações e tecidos conectivos

Sinovial possui cartilagem articular, cápsula fibrosa, membrana sinovial e cavidade. Ligamento une osso-osso; tendão, músculo-osso. Meniscos aumentam congruência e distribuem carga.

Sarcômero e acoplamento excitação–contração Linha ZLinha Z MiosinaActina PA muscular → túbulos T → liberação de Ca²⁺ do retículo sarcoplasmático → troponina C → pontes actina-miosina.
Esquema 7 — durante a contração, filamentos não encurtam; aumenta a sobreposição.

4. Músculo esquelético

Sarcômero vai de linha Z a Z. Banda A corresponde ao comprimento da miosina e não muda; banda I e zona H diminuem na contração. PA percorre sarcolema/túbulos T, ativa receptor DHP mecanicamente acoplado ao RyR no retículo → Ca²⁺ → troponina C → tropomiosina desloca → pontes cruzadas.

Músculo esquelético — níveis de organizaçãoMúsculoFascículoFibra muscular(com miofibrilas)Ajuda a relacionar macroanatomia e organização microscópica.
Figura adicional — Músculo esquelético. Reforça a hierarquia músculo → fascículo → fibra → miofibrila.

ATP é necessário para desligar miosina da actina e recaptar Ca²⁺ pela SERCA. Sem ATP ocorre rigor.

5. Junção neuromuscular

Motoneurônio libera ACh → receptor nicotínico → potencial de placa → canais de Na⁺ voltagem-dependentes → PA muscular. AChE termina o sinal.

6. Fusos e órgão tendinoso

Fuso em paralelo ao músculo detecta comprimento; órgão tendinoso em série detecta tensão. Motoneurônios gama ajustam sensibilidade do fuso.

7. Anatomia funcional de membros

Triângulo femoral: limites — ligamento inguinal, sartório, adutor longo; conteúdo lateral→medial: nervo, artéria, veia, linfáticos. Nervo ciático geralmente sai pelo forame isquiático maior abaixo do piriforme. Manguito rotador: supraespinal, infraespinal, redondo menor, subescapular; supraespinal inicia abdução, deltoide domina depois.

Esqueleto humano — orientação anatômicaCrânioClavícula / úmeroPelveFêmurTíbia / fíbula
Figura adicional — Esqueleto. Útil para localização anatômica global na revisão de aparelho locomotor.

8. Joelho e quadril — relações úteis

LCA limita translação anterior da tíbia; LCP, posterior. Menisco medial é menos móvel e mais aderido. Quadril é articulação estável de bola-soquete, reforçada por ligamentos fortes.

Aprofundamento — histologia, biomecânica e anatomia de prova

Osso compacto

Ósteons possuem lamelas concêntricas ao redor de canal de Havers; canais de Volkmann conectam sistemas. Osteócitos ocupam lacunas e se comunicam por canalículos. Osso esponjoso organiza-se em trabéculas sem ósteons completos.

Placa epifisária

Zonas clássicas: repouso, proliferação, hipertrofia, calcificação e ossificação. Crescimento longitudinal depende de cartilagem proliferativa e sua substituição por osso. Após fechamento da placa, crescimento longitudinal cessa.

RANK/RANKL

Osteoblastos/estroma expressam RANKL, que promove diferenciação osteoclástica; osteoprotegerina funciona como receptor-cebo. PTH tende a aumentar reabsorção indiretamente por esse eixo quando persistente.

Contração muscular

Ca²⁺ liga troponina C, desloca tropomiosina e expõe sítios de actina. Cabeça de miosina com ADP+Pi liga actina; liberação de Pi gera golpe de força; ATP liga e separa; hidrólise recarrega a cabeça. A velocidade de encurtamento e força dependem da carga e recrutamento.

Unidades motoras

Unidade motora = um motoneurônio alfa e fibras que ele inerva. Músculos de controle fino têm unidades pequenas; músculos de força, maiores. Recrutamento segue princípio do tamanho em grande parte das tarefas.

Nervos periféricos de alto rendimento

Radial: extensão de punho/dedos; lesão pode causar mão caída. Mediano: musculatura tenar e sensibilidade palmar lateral; compressão no túnel do carpo. Ulnar: interósseos; lesão pode prejudicar abdução/adução dos dedos. Femoral: extensão do joelho; obturatório: adução da coxa; ciático divide-se em tibial e fibular comum.

Ombro

Luxação glenoumeral anteroinferior pode ameaçar nervo axilar. Manguito rotador estabiliza cabeça umeral; supraespinal inicia abdução, infraespinal/redondo menor fazem rotação lateral, subescapular rotação medial.

Joelho

LCA impede deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur e hiperextensão; LCP impede deslocamento posterior. Meniscos distribuem carga e aumentam congruência. Mecanismo de trauma + teste físico pode ser usado para inferir ligamento.

Como pode cair: associe estrutura à ação. Em lesão nervosa, identifique movimento perdido e território sensitivo antes de escolher o nervo.

Biomecânica e anatomia — detalhes finais

Tipos de contração

Isométrica: gera tensão sem encurtamento global; concêntrica: músculo encurta vencendo carga; excêntrica: alonga enquanto gera força, comum ao frear movimento. Contração excêntrica pode gerar grande força com menor custo energético relativo e maior dano microscópico.

Tipos de fibras

Tipo I: oxidativas, resistentes à fadiga. Tipo II: mais rápidas, maior potência, com subtipos metabólicos. Recrutamento tende de unidades pequenas/resistentes para grandes/rápidas conforme aumenta demanda.

Coluna vertebral

Disco intervertebral = anel fibroso + núcleo pulposo. Hérnia posterolateral pode comprimir raiz nervosa. Facetas e ligamentos estabilizam segmentos. Curvaturas fisiológicas distribuem carga.

Compartimentos do membro inferior

Anterior da perna é principalmente fibular profundo; lateral, fibular superficial; posterior, tibial. Lesão do fibular comum próximo ao colo da fíbula pode causar pé caído por perda de dorsiflexão.

Checklist

Cuidados de Enfermagem

pontos procedurais
peso anterior: 4/100
Cuidados de Enfermagem: segurança antes do procedimento Higiene das mãosantes/depois do contato Técnica assépticaevitar contaminação Identificaçãopaciente + prescrição Monitorarresposta/risco Cateter vesical:indicação → técnica asséptica → sistema fechado → bolsa abaixo da bexiga → retirar cedo Medicação:paciente, medicamento, dose, via, horário, registro, indicação/resposta + checagem de alergias
Esquema 8 — em procedimento, a prova costuma testar segurança, ordem e prevenção de dano.

1. Biossegurança e higiene de mãos

Precauções padrão aplicam-se a todos. Higiene das mãos deve ocorrer antes do contato, antes de procedimento limpo/asséptico, após risco de fluido, após contato e após tocar superfícies próximas. Luvas não substituem higiene.

Antissepsia = tecido vivo; desinfecção = objetos/superfícies; esterilização elimina inclusive esporos. Perfurocortante vai imediatamente ao coletor rígido; não reencapar rotineiramente.

2. Precauções adicionais

  • Contato: luvas/avental conforme risco.
  • Gotículas: máscara cirúrgica.
  • Aerossóis: respirador adequado e ambiente específico conforme protocolo.

3. Sinais vitais e oximetria

PA é sensível a manguito inadequado, braço fora da altura do coração, repouso insuficiente e técnica. Pulso: frequência/ritmo/amplitude. FR deve ser contada sem induzir mudança consciente. Oximetria sofre interferência por baixa perfusão, movimento e outros fatores; não substitui avaliação clínica.

4. Cateter vesical

Cateter de alívio é intermitente; de demora permanece. Indicação deve ser clara. Inserção asséptica, sistema fechado, fluxo sem dobras, bolsa abaixo da bexiga e nunca no chão. A prevenção mais importante de ITU associada ao cateter é evitar uso desnecessário e retirar precocemente.

5. Oxigenoterapia

Cânula nasal fornece O₂ suplementar com FiO₂ variável. Máscara simples requer fluxo adequado. Venturi é útil quando se deseja FiO₂ mais previsível/controlada. Monitorar resposta clínica e saturação; objetivo não é “dar o máximo possível” sem indicação.

6. Aspiração de vias aéreas

Indicação clínica: secreção evidente, tosse ineficaz, ruídos, piora ventilatória. Não é procedimento de horário fixo. Técnica deve limitar trauma/hipoxemia e monitorar paciente.

7. Venopunção, medicação e bomba

Confirmar identidade, alergias, medicamento, dose, via, horário, indicação, registro e resposta. Cálculo básico: dose prescrita/dose disponível × volume disponível. Bomba: mL/h = volume total/horas. A bomba controla fluxo, mas não detecta todos os problemas do acesso.

8. Feridas e desbridamento

Avalie leito, exsudato, bordas, pele perilesional, dor, infecção e perfusão. Desbridamento remove tecido desvitalizado; pode ser cirúrgico, mecânico, autolítico, enzimático conforme contexto. Não se decide apenas pela aparência sem considerar perfusão e risco.

9. Pós-operatório

Prioridades: via aérea/respiração, circulação, dor, sangramento, náusea, mobilização, prevenção de trombose e complicações pulmonares. Exercícios respiratórios, tosse assistida e mobilização precoce reduzem complicações em pacientes selecionados.

Aprofundamento — técnica, segurança e cálculos

Pressão arterial

Manguito muito pequeno superestima PA; muito grande pode subestimar. Paciente deve repousar, braço apoiado na altura do coração, pés apoiados e sem falar. Em aferição auscultatória, primeiro som de Korotkoff marca sistólica e desaparecimento marca diastólica em adultos na prática usual.

Oximetria e oxigênio

SpO₂ não informa ventilação; paciente pode reter CO₂ com saturação razoável. Cânula nasal é confortável, mas FiO₂ varia. Venturi usa efeito de arraste para fornecer mistura mais previsível. Máscara com reservatório fornece altas concentrações quando bem ajustada e com fluxo adequado.

Aspiração

Aspiração excessivamente prolongada causa hipoxemia e trauma. Deve ocorrer pelo menor tempo necessário, com avaliação antes/depois. Em via aérea artificial, técnica e calibre do cateter importam para não ocluir excessivamente o tubo.

Cálculo de medicação

Se prescrição é 500 mg e ampola tem 250 mg/mL, volume = 500/250 = 2 mL. Se 1000 mL devem correr em 8 h, bomba = 125 mL/h. Em equipo macro/microgotas, gotas/min dependem do fator do equipo; sempre confira unidades antes de calcular.

Venopunção

Selecione veia adequada, higienize mãos, use antissepsia e evite tocar novamente o sítio preparado sem correção da técnica. Avalie infiltração, flebite, extravasamento e permeabilidade. Infusão dolorosa ou edema local exige reavaliação imediata.

Segurança medicamentosa

Além dos “certos”, atenção a medicamentos de alta vigilância, dupla checagem quando indicada e conciliação de medicamentos. O erro pode ocorrer em prescrição, dispensação, preparo, administração ou monitoramento.

Feridas

Tecido de granulação é vermelho e vascular; esfacelo é tecido desvitalizado amarelado; necrose seca pode ter escara. Presença de exsudato, odor e dor não isoladamente definem infecção. Perfusão inadequada muda estratégia de desbridamento.

Como pode cair: procedimentos são avaliados pela sequência mais segura. A alternativa correta costuma evitar contaminação, minimizar dano e monitorar resposta.

Quadro de segurança — Enfermagem

SituaçãoErro clássicoConduta segura
Cateter vesicalAbrir sistema para “higienizar”Manter sistema fechado e indicação diária
O₂Escolher dispositivo sem objetivoDefinir necessidade/FiO₂ e monitorar
AspiraçãoFazer por horárioFazer por indicação clínica
MedicaçãoConfiar só no nome do leitoUsar identificadores do paciente
VenopunçãoTocar sítio após antissepsiaPreservar campo preparado ou refazer técnica

Precaução padrão

Baseia-se no risco de contato com sangue, fluidos, mucosas e pele não íntegra. EPI é escolhido pelo risco esperado, não pela “gravidade do diagnóstico”. Segurança também inclui descarte correto e prevenção de acidente ocupacional.

Checklist

Sistema Hematológico

revisão objetiva
peso anterior: 3/100
Hematopoiese e hemostasia Célula-tronco hematopoética Linhagem mieloide Linhagem linfoide Hemácias · granulócitos · monócitos · megacariócitos/plaquetas Linfócitos B · T · NK Hemostasia:vasoconstrição → adesão/ativação/agregação plaquetária → coagulação/fibrina → fibrinólise
Esquema 9 — não confunda hemostasia primária (plaquetas) com secundária (fibrina/coagulação).
Coágulo sanguíneo — esquema em português
Coágulo sanguíneo — esquema em português
Use para integrar plaquetas, fibrina e hemostasia.
Fonte aberta: Wikimedia Commons.

1. Hematopoiese

No adulto, medula óssea é o principal local. Célula-tronco hematopoética origina progenitores mieloide e linfoide. Eritropoietina renal estimula eritropoiese; trombopoietina regula megacariócitos/plaquetas. Granulócitos e monócitos vêm da linhagem mieloide; linfócitos B/T/NK, da linfoide.

Hematopoiese — linhagens celularesCélula-tronco hematopoéticaMieloideLinfoideHemáciasGranulócitosMegacariócitos / plaquetasLinfócitos BLinfócitos TNK
Figura adicional — Hematopoiese. Reforça progenitores mieloide e linfoide e suas principais diferenciações.

2. Hemácias e hemograma

Hemoglobina/hematócrito avaliam massa eritrocitária. VCM classifica anemia em micro/normo/macrocítica; RDW expressa variação de tamanho. Reticulócitos ajudam a decidir se medula responde adequadamente.

3. Leucócitos

Neutrófilos: defesa antibacteriana/fagocitose; eosinófilos: parasitas/alergia; basófilos/mastócitos: mediadores; monócitos→macrófagos; linfócitos B: anticorpos; T: imunidade celular; NK: citotoxicidade inata.

4. Hemostasia primária

Lesão endotelial expõe colágeno. vWF liga colágeno à GPIb plaquetária; ativação libera grânulos e expõe GPIIb/IIIa; fibrinogênio faz pontes entre plaquetas. Aspirina reduz TXA₂ e agregação.

5. Hemostasia secundária e fibrinólise

Fatores de coagulação culminam em trombina, que converte fibrinogênio em fibrina e ativa outras etapas. Fator XIII estabiliza rede. Plasmina degrada fibrina; D-dímero reflete degradação de fibrina entrecruzada.

6. Transfusão

Concentrado de hemácias aumenta capacidade de transporte de O₂ quando indicado; plaquetas são usadas em trombocitopenia/disfunção em contextos específicos; plasma fornece múltiplos fatores. Compatibilidade ABO/Rh e testes pré-transfusionais previnem reações hemolíticas.

7. Transplante de células-tronco

Autólogo = próprio paciente, sem doença enxerto-versus-hospedeiro (DECH) alogênica. Alogênico = doador; compatibilidade HLA é central; risco de rejeição e DECH. Etapas: coleta/mobilização, condicionamento, infusão, enxertia e suporte.

Aprofundamento — hemograma, coagulação e transfusão

Eritropoiese

Hipóxia renal aumenta eritropoietina, que estimula progenitores eritroides. Durante maturação há síntese de Hb, condensação e expulsão nuclear. Reticulócitos ainda contêm RNA e indicam produção recente. Em anemia, reticulocitose sugere resposta medular preservada; reticulócitos baixos sugerem produção insuficiente.

Índices hematimétricos

VCM baixo = microcitose; alto = macrocitose. HCM/CHCM refletem conteúdo/concentração de Hb. RDW aumentado indica heterogeneidade de tamanho. Esses índices orientam raciocínio, mas diagnóstico exige integração clínica/laboratorial.

Plaquetas

Megacariócitos formam plaquetas. Adesão depende de vWF–GPIb; agregação de fibrinogênio–GPIIb/IIIa. ADP e TXA₂ amplificam ativação. Endotélio íntegro produz mediadores antiagregantes.

Coagulação

A divisão “intrínseca/extrínseca” é útil didaticamente, mas in vivo os sistemas interagem. Fator tecidual inicia geração de trombina; trombina converte fibrinogênio em fibrina, ativa plaquetas e amplifica coagulação. Vitamina K é necessária para carboxilação de fatores II, VII, IX, X e proteínas C/S.

TP/INR e TTPa

TP/INR avalia principalmente via extrínseca/comum e é usado no monitoramento da varfarina. TTPa avalia via intrínseca/comum e pode monitorar heparina não fracionada. Questões podem apresentar um fator deficiente e pedir qual exame altera.

Reações transfusionais

Hemolítica aguda por incompatibilidade ABO pode causar febre, dor, hipotensão, hemoglobinúria e é emergência. Reação febril não hemolítica é mais comum e menos grave. TRALI causa edema pulmonar não cardiogênico; TACO é sobrecarga circulatória. Se houver suspeita de reação, interromper transfusão e investigar conforme protocolo.

Como pode cair: diferencie problema de plaqueta de problema de coagulação: sangramento mucocutâneo sugere hemostasia primária; hemartrose/hematoma profundo sugere secundária.

Mapa de interpretação — Hematologia

Anemia: produção × perda/destruição

Reticulócitos altos sugerem que medula responde a sangramento/hemólise; baixos ou inadequados sugerem deficiência de substrato, doença medular, renal ou inflamatória. VCM orienta, mas não fecha etiologia.

Leucograma

Neutrofilia pode acompanhar infecção bacteriana/estresse; linfocitose pode ocorrer em infecções virais; eosinofilia em alergia/parasitoses, porém nenhum achado isolado é específico. A prova pode perguntar função celular, não diagnóstico.

ABO

Hemácias A possuem antígeno A e plasma anti-B; B, antígeno B e anti-A; AB possui ambos antígenos e não tem anti-A/anti-B naturais; O não tem A/B e possui ambos anticorpos. Para concentrado de hemácias, compatibilidade é pensada pelos antígenos das hemácias do doador.

DECH

Na doença enxerto-versus-hospedeiro, linfócitos imunocompetentes do doador atacam tecidos do receptor, especialmente pele, trato gastrointestinal e fígado. É risco típico do transplante alogênico.

Checklist

Sistema Tegumentar

alto retorno em pouco tempo
peso anterior: 3/100
Pele: camadas, anexos e termorregulação EpidermeDermeHipoderme Folículo piloso Sebácea Écrina
Esquema 10 — pele espessa: estrato córneo maior, lúcido evidente, sem folículos/sebáceas.

1. Epiderme, derme e hipoderme

Epiderme é epitélio estratificado pavimentoso queratinizado e avascular. Estratos: basal → espinhoso → granuloso → lúcido (pele espessa) → córneo. Derme papilar = conjuntivo frouxo; reticular = denso não modelado. Hipoderme é subcutânea, com conjuntivo/adiposo.

Pele — camadas e anexos cutâneosEpidermeDermeHipodermeGlândula sebáceaÉcrinaFolículo piloso
Figura adicional — Pele. Reforce epiderme, derme, hipoderme e principais anexos.

2. Diferenciação e citoqueratinas

Queratinócitos basais proliferativos expressam classicamente K5/K14; suprabasais diferenciados, K1/K10. Corpos lamelares liberam lipídios que formam barreira hídrica. Filagrina ajuda a organizar queratina e contribui para hidratação.

3. Melanócitos

Derivam da crista neural, residem no basal e transferem melanossomos aos queratinócitos. Tirosinase é chave na melanogênese. Diferença de cor cutânea depende mais de atividade/tamanho/distribuição dos melanossomos que do número de melanócitos.

4. Glândulas

GlândulaAberturaMecanismo/função
ÉcrinaSuperfícieMerócrina; suor termorregulador; simpático colinérgico
ApócrinaFolículoRegiões específicas; atividade pós-puberdade
SebáceaFolículoHolócrina; andrógenos; sebo

5. Termorregulação

Radiação = troca sem contato; condução = contato direto; convecção = movimento de ar/água (vento aumenta); evaporação = perda de calor quando água vira vapor. Vasodilatação cutânea favorece perda; vasoconstrição conserva calor.

6. Folículo e ciclo piloso

Anágena = crescimento/mitose; catágena = involução curta; telógena = repouso. No couro cabeludo, anágena dura anos. Unidade pilossebácea = folículo + sebácea + eretor.

Aprofundamento — barreira, pigmentação e fisiologia cutânea

Barreira epidérmica

Corneócitos funcionam como “tijolos” e lipídios intercelulares como “argamassa”. Corpos lamelares liberam ceramidas e outros lipídios; filagrina ajuda organização da queratina e gera componentes do fator de hidratação natural. Alterações aumentam perda transepidérmica de água.

Junção dermoepidérmica

Papilas dérmicas e cristas epidérmicas aumentam área de contato. Hemidesmossomos conectam queratinócitos basais à lâmina basal. Doenças que rompem esses sistemas produzem bolhas em planos diferentes.

Melanogênese e UV

Tirosinase converte tirosina em intermediários da melanina. Melanossomos são transferidos a queratinócitos e formam capuz supranuclear protetor. UVA penetra mais profundamente e contribui para fotoenvelhecimento; UVB associa-se fortemente a eritema e dano direto ao DNA.

Termorregulação

Fluxo cutâneo varia enormemente. No calor, vasodilatação leva sangue à superfície e sudorese écrina permite evaporação. Em umidade alta, suor evapora menos e o resfriamento piora. No frio, vasoconstrição reduz transferência de calor.

Glândulas

Écrina: porção secretora profunda e ducto até superfície; suor inicialmente isotônico é modificado pelo ducto, com reabsorção de NaCl. Apócrina: lúmen maior, áreas específicas, secreção associada à puberdade. Sebácea: células acumulam lipídio e se desintegram, caracterizando holocrinia.

Ciclo do folículo

Anágena longa determina potencial de comprimento do cabelo; catágena é regressão programada; telógena é repouso. Alteração sincronizada do ciclo pode causar queda difusa meses após estresse.

Como pode cair: “pele espessa” significa epiderme/estrato córneo espessos, não simplesmente derme mais grossa.

Histologia prática — Tegumentar

Como reconhecer pele espessa em lâmina

Estrato córneo muito espesso, estrato lúcido evidente, cristas epidérmicas marcadas, numerosas glândulas écrinas e ausência de folículos/sebáceas. Em pele fina, córneo é menor e anexos pilossebáceos são comuns.

Células não queratinocíticas

Langerhans participa de apresentação de antígeno; Merkel associa-se a mecanorrecepção; melanócitos produzem pigmento. A maior parte da epiderme é formada por queratinócitos.

Derme papilar × reticular

Papilar é conjuntivo frouxo e mais superficial, com papilas/capilares; reticular é denso não modelado, rico em colágeno I e anexos. A epiderme não possui vasos e depende da difusão a partir da derme.

Checklist

Suporte Básico de Vida

pontos recuperáveis
peso anterior: 2/100
SBV adulto — sequência que precisa estar automática Cena seguraresponsividade Ajuda + DEAacionar emergência Pulso/respiração≤ cerca de 10 s RCP + DEA100–120/min · 5–6 cm OVACE grave responsiva (AHA 2025):5 golpes interescapulares → 5 compressões abdominais → repetir
Esquema 11 — gasping não é respiração normal; após choque, retomar compressões imediatamente.

1. Reconhecimento

Cena segura → responsividade → acionar emergência/DEA → avaliar respiração e pulso rapidamente no profissional treinado. Gasping não é respiração normal. Se não houver pulso definido e respiração normal, iniciar RCP.

2. RCP de alta qualidade — adulto

  • Frequência: 100–120/min.
  • Profundidade: pelo menos ~5 cm, evitando excesso >6 cm.
  • Retorno completo do tórax.
  • Minimizar interrupções.
  • Sem via aérea avançada: 30:2.

3. DEA

Usar assim que disponível. Durante análise/choque ninguém toca a vítima. Após choque, retomar RCP imediatamente. “Choque não recomendado” não significa recuperação; se continua em parada, retomar RCP.

4. OVACE — atualização AHA 2025

Obstrução leve com tosse eficaz: estimular tosse e observar. Grave responsiva: acionar emergência e executar ciclos de 5 golpes interescapulares + 5 compressões abdominais. Em gestação avançada ou impossibilidade de circundar abdome, usar compressões torácicas. Se ficar inconsciente: iniciar RCP por compressões e, antes de ventilar, procurar objeto visível; não fazer varredura digital cega.

Atualização vigente: a sequência 5 golpes nas costas + 5 compressões abdominais é recomendação AHA 2025 para OVACE grave responsiva em adulto.

Aprofundamento — cadeia de sobrevivência e erros que derrubam ponto

Por que compressão funciona

Compressões geram fluxo por compressão direta do coração e aumento da pressão intratorácica. Fluxo coronariano e cerebral dependem de compressões contínuas; pausas longas fazem a pressão cair e exigem várias compressões para recuperá-la.

Ventilação

Cada ventilação deve produzir elevação visível do tórax sem hiperventilar. Ventilação excessiva aumenta pressão intratorácica e reduz retorno venoso. Em parada respiratória com pulso, profissional treinado ventila sem compressões conforme protocolo.

Ritmos chocáveis

DEA identifica fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso como ritmos potencialmente chocáveis. Assistolia e atividade elétrica sem pulso não recebem choque; requerem RCP e tratamento de causas reversíveis no suporte avançado.

OVACE

Sinais graves: tosse fraca/ausente, incapacidade de falar, cianose, alteração de consciência, apneia. Se responsivo, AHA 2025 orienta 5 golpes interescapulares + 5 compressões abdominais. Se perde consciência, deitar com segurança e iniciar RCP por compressões; ao abrir via aérea, retirar apenas objeto visível.

Posição lateral

É útil para pessoa inconsciente que respira normalmente e não precisa de RCP, desde que não haja situação que exija outra abordagem. Não deve substituir RCP em quem não respira normalmente.

Como pode cair: a prova frequentemente mistura uma ação correta em momento errado. Em SBV, a sequência temporal vale tanto quanto a técnica.

Números que precisam estar memorizados — SBV

ItemAdulto
Frequência de compressão100–120/min
Profundidade≥5 cm, evitar >6 cm
Relação sem via avançada30:2
Checagem de pulso/respiração pelo profissionalrápida, cerca de até 10 s

Erros de sequência

Soco precordial não substitui RCP/DEA. Não prolongar procura de pulso. Não esperar o SAMU sem iniciar suporte quando indicado. Não interromper compressões para checagens repetidas desnecessárias.

Checklist

Mapa final de confusões que não podem chegar à prova

Não confundirDiferença central
Shunt × espaço mortoShunt = perfusão sem ventilação; espaço morto = ventilação sem perfusão.
Pré-carga × pós-cargaPré = enchimento/estiramento; pós = resistência à ejeção.
Sensibilidade × especificidadeSensibilidade olha doentes; especificidade olha não doentes.
Coorte × caso-controleCoorte parte da exposição; caso-controle parte do desfecho.
Coluna dorsal × espinotalâmicaColuna dorsal cruza no bulbo; espinotalâmica cruza na medula.
Écrina × apócrina × sebáceaÉcrina/termorregulação; apócrina/folículo; sebácea/holócrina.
Hemostasia primária × secundáriaPrimária = plaquetas; secundária = fibrina/coagulação.
Fuso × GolgiFuso = comprimento; Golgi = tensão.
NMS × NMINMS = espasticidade/hiperreflexia; NMI = flacidez/atrofia/fasciculação.
RER × RELRER = proteínas; REL = lipídios/detox/Ca²⁺.

Revisão final — o que precisa estar automático

Biologia celular

Na/K; proteína secretada; organelas; citoesqueleto; ciclo; meiose; apoptose.

Neuro

PA/sinapse; glia; reflexos; SNA; vias e decussações; NMS/NMI; LCR.

Cardiorrespiratório

ECG/ciclo; pré/pós-carga; Poiseuille; fetal; mecânica; V/Q; gases; quimiorreceptores.

Sentidos/locomotor

Via óptica; cóclea; vestibular; osso; cartilagem; sarcômero; propriocepção.

Procedimentos

Cateter vesical; O₂; Venturi; aspiração; cálculo/bomba; feridas; biossegurança.

Hemo/pele/SBV

Hemostasia; TMO/HLA; glândulas da pele; termorregulação; ciclo piloso; RCP/DEA/OVACE.

Regra para a véspera: volte apenas aos checkboxes não marcados. O objetivo agora é aumentar a recuperação ativa e reduzir confusão entre conceitos próximos, não abrir novos capítulos sem necessidade.

Base e atualização

Escopo: conteúdo programático do Edital FMB/UNESP nº 66/2026, conforme o mapa consolidado do projeto. Peso: distribuição quantitativa do caderno anterior usada apenas para priorização.

Bibliografia conceitual usada pelo projeto: Alberts; Junqueira & Carneiro; Kierszenbaum; Lehninger; Guyton & Hall; Berne & Levy; Silverthorn; Moore/Dalley/Agur; Bear; Kandel; Fletcher; Greenhalgh e demais referências específicas do edital.

SBV: atualizado pelas Diretrizes AHA 2025 para RCP/ECC, incluindo OVACE grave responsiva com 5 golpes interescapulares seguidos de 5 compressões abdominais.

Imagens externas: arquivos abertos do Wikimedia Commons, em português quando disponíveis. Esquemas adicionais foram produzidos diretamente nesta apostila com rótulos em português.